Saúde mental é diferente para as mulheres?
- mariacguarnieri
- 14 de out.
- 2 min de leitura
A saúde mental e o acesso a ela possui diferenças no contexto quando as questões de gênero e sexo são consideradas. O funcionamento dos pensamentos e emoções é o mesmo para todos os humanos. Porém, suas implicações e sequelas podem se mostrar distintas quando inseridas em diferentes realidades e perspectivas.
Vários estudos têm revelado uma série de situações específicas que afetam diretamente a saúde mental das mulheres. As estatísticas mostram que há maior probabilidade de mulheres serem diagnosticadas com transtornos de saúde mental. Segundo os últimos dados, 1 em cada 5 mulheres apresenta Transtornos Mentais Comuns (TMC) e a taxa de depressão é, em média, mais do que o dobro da taxa de homens com o mesmo sofrimento, podendo ainda ser mais persistente nas mulheres. Fatores sociais, culturais e biológicos desempenham um papel significativo nessa disparidade. As mulheres enfrentam desafios únicos, como disparidades de gênero no acesso aos recursos, sobrecarga e trabalho, violência de gênero, desigualdade salarial, abusos sexuais e negligência de cuidados são algumas das questões sociais que afetam exclusivamente a saúde mental de mulheres cisgênero.
Além disso, o ciclo vital e biológico dessas mulheres, incluindo eventos como puberdade, gravidez, menopausa etc, também pode influenciar sua saúde mental. A síndrome pré-menstrual (SPM), a síndrome do ovário policístico (SOP), a endometriose e a tensão pré-menstrual (TPM) são alguns exemplos de condições que afetam milhares de mulheres e podem ter um impacto negativo muito grande em seu bem-estar psicológico.
Quando abordamos a saúde mental feminina, precisamos considerar a complexidade e a interseccionalidade das experiências de cada mulher, buscando abordagens inclusivas e sensíveis na promoção do bem-estar psicológico para todas. Apesar de todos esses desafios, já fizemos bastante progresso e estamos indo longe. Temos que acreditar na melhoria e evolução.
Se precisar de ajuda para encarar esse mundo enquanto mulher, não hesite em buscá-la. Buscar psicoterapia também é um ato revolucionário e de coragem.
Fontes e referências dos estudos em saúde mental da mulher: "Gender Disparity In Prevalence Of Depression Among Patient Population: A Systematic Review" link: https://www.ajol.info/index.php/ejhs/article/view/96732 "Women's mental health: depression and anxiety" link: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/19683096/ "Prevalence and Associated Factors of Common Mental Disorders in Women: A Systematic Review" link: https://www.ssph-journal.org/journals/public-health-reviews/articles/10.3389/phrs.2021.1604234/full



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