Sua dor não é frescura!
- mariacguarnieri
- 14 de out.
- 2 min de leitura
Um dos maiores desafios quando falamos de saúde mental é a validação do sofrimento. Um sofrimento que é tão real e avassalador, mas invisível aos nossos olhos. Não dá pra ver a angústia em exames de rotina. Não conseguimos fazer um raio-x da ansiedade. É uma camada emocional interna que toma conta do nosso ser, mas ninguém consegue enxergar nada disso, nem nós mesmos! Como quebramos essa barreira?
A psicologia funciona através da linguagem, da fala. Até o momento é a forma mais "concreta" que conseguimos chegar. Nós dependemos da compreensão do outro ao nos ouvir e nem sempre isso acontece. É difícil acreditar e validar o que não se vê, por isso a empatia é tão imprescindível no âmbito da saúde mental. Muitas dores são banalizadas e rotuladas como "frescura", "falta do que fazer" e "pra chamar atenção". Já pensou se alguém usar uma dessas frases pra se referir a uma pessoa com diabetes? Que as alterações no nível de glicose são apenas frescura e falta do que fazer? Ficaria estranho, né?! E se invertessemos os discursos?
Imagine que uma pessoa quebrou sua perna em um acidente e precisou ficar engessada. Ela não consegue andar até que o osso regenere. Seus amigos e familiares a pressionam, dizendo "é só levantar e andar, só ter força de vontade", mas não é verdade. A pessoa pode piorar a fratura e trauma do osso na perna, pode perder permanentemente a habilidade de andar caso não siga as orientações médicas de repouso. Todos achariam um absurdo exigir que uma pessoa com a perna quebrada saia se esforçando para andar, mas quando é uma pessoa com depressão severa que não consegue se levantar da cama, aí caem nas críticas e cobranças, como se a depressão fosse menos real que um osso quebrado. O problema é que a depressão é tão real quando ossos quebrados e quaisquer doenças fisicamente detectáveis. Condições e transtornos psicológicos EXISTEM e debilitam muitos pacientes quando não tratado corretamente.
Seu sofrimento e seus sintomas podem não ser tão visíveis quanto um osso quebrado, mas eles definitivamente são reais e tratáveis. Falar pode curar. Não se cale e não acumule mais repressões. Procure um especialista em saúde mental, psicólogo ou psiquiatra, e tente se abrir sem julgamentos. A sociedade pode não te ouvir, mas você pode se ouvir e se dar o devido cuidado



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